segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Divagar e sempre #1

Horas

Dever

Amoras

Comer

(2015)
Vunesp

Distante

Fuvest

Unicamp

Paredes

Pinto

Pixo

ppk

Marte

Três vezes

Arte

Por meses



quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Paquetá

Se arte está em todo canto
Todo canto guarda beleza
A beleza do canto
Até canto de sereia


Na luz laranja que derrama
na vila envergonhada
na pobreza escancarada
A seiva doce de nosso drama

(2014)

sábado, 22 de novembro de 2014

Confissões do rolê egoísta que a gente vive a vida toda

                Eu vivo à sombra dos meus ídolos. Eles estão lá, a todo instante me bombardeando com inseguranças e fazendo minhas palavras serem tão balbuciadas quanto as de Fabiano no sertão. Os vejo e me vem uma nuvem de rancor escura coexistindo com aquele sentimento de que os admiro com uma profundidade irritante, pois sem eles eu não seria nem metade do que sou hoje.
                Meus ídolos são, além dos ovacionados, aqueles que postam os melhores textos, os que tem os amigos mais bonitos, os que tiram as fotos com os efeitos mais legais, aqueles que conseguem milhares de curtidas. Venha você também me criticar e fingir que não liga tanto ou mais que eu para esses detalhes. Pode vir, está convidado. A hipocrisia neste mundo já ultrapassou todos os limites considerados saudáveis, mesmo.
                Pois lhe digo que os são, pois os são. Tento segui-los, tento ser como eles, tento gritar minha opinião moldada, tento me vestir e ser tão underground quanto. Afinal, neste mundinho bobo que nós construímos pra viver, existe um padrão a ser seguido e nos coagimos quando desviamos deste caminho pré-delimitado antes mesmo de notarmos. Ah não, aqui você não pode botar a culpa no sistema. Neste capitalismo opressor. Na sociedade patriarcal e machista. No governo elitista. Na meritocracia. Na mídia padronizada. Não, aqui a culpa é sua, viu? E aprender a conviver com os padrões que você mesmo se impôs é uma habilidade que deverá desenvolver sozinho. Desvinculado de todos esses vínculos. Achar o padrão que se impôs é uma busca emocional. Se desvincular dele é espiritual. Convoque seu Buda que o clima tá tenso.
                Sei que parte do que me imponho é retirado do que meus ídolos se impõem. Eles também fingem que não, assim como eu quando agradeço um elogio – “Mas eu nem tinha notado!” (passei a noite inteira me perguntando se alguém reparou).
                É triste pensar que o ponto alto da minha semana é receber um print de alguém elogiando a imagem que criei de mim mesma. Construí, moldei, avalie, imitei, até que enfim desencanei... Mas voltei. Sempre volto para o mesmo ideal de que tudo só vai estar bem se eu seguir esse padrão que me forço acreditar que é meu, que eu que criei para mim. Sei bem que não é exatamente isso, mas finjamos que é para meu ego se inflar um pouco. Vamos lá, galerë, antes de ter uma conversa franca com alguém é preciso admitir que infelizmente o que mais prezamos numa relação interpessoal é o coeficiente de elevação desse nosso ego indomável. Não haveria depressão se não houvesse ego.
                Hoje em dia eu basicamente finjo e atuo. Finjo que está tudo bem quando atuo esse personagem indomável que criei. Finjo que está tudo bem quando percebo que minha atuação é digna de Sibyl Vane após um beijo de Dorian Gray. E aí eu atuo quando finjo que não ligo para a rejeição. Algumas pessoas me aplaudem de pé, me jogam flores e pedem autógrafos. Agradeço cordialmente (“Mas eu nem percebi!”) e continuo minha vida. Mas há esse outro público que me atira tomates e vaia sem dó. Curioso que aqui não continuo minha vida. Aqui, ela para, estagna, vira um limbo. Fico sem chão e minha melhor amiga me tira do palco. Dona Impulsividade, que sempre me acompanhou nos momentos de desespero. Devo a ela muitas coisas. Nenhuma muito boa.
                Mas disso tudo tiro o que? Tiro nada, né galera. Nadinha. Sabe por quê? É, eu também não. Olha, desculpa, ainda estou aprendendo a viver, não detenho todas as respostas do meu drama pessoal. É drama. É teatro. É coisa passageira. Ou nem é. O que sei é que às vezes canso de atuar e fingir, canso desse dramalhão, canso de imitar gente que nem mesmo eu respeito. Só queria poder viver de boas sem ter que seguir nenhum padrão imposto por mim – ou pelo sistema governal. Ou pelo capitalismo padronizado. Ou pela sociedade midiática. Ou pelo elitismo machista. Ou pela meritocracia patriarcal. Ou por sei lá o que.

(2014)


terça-feira, 4 de novembro de 2014

Coisa engraçada essa de amar

             Coisa engraçada essa de amar, não acha? Amamos uma, amamos duas, amamos quantas vezes o coraçãozinho insaciável pedir. E cada vez parece um universo paralelo, com suas peculiaridades e sensações. Eu amo, sabe? Amo muito, muitas vezes, muitas coisas, muitas pessoas. E tenho um amor principal, que amo muito, amo ainda mais o fato de que ele acaba deixando todos os outros amores mais particulares.
                É particular o jeito que olho para o outro de forma tímida e percebo que ele está nada mais do que fazendo o mesmo. Tão particular quando nos cumprimentamos com um abraço apertado demais, demorado demais, carinhoso demais. Particularmente gostoso quando sentamos desnecessariamente perto um do outro e nos tocamos esporadicamente, sem deixar ninguém ver, cuidando com afeto do nosso segredo. E ele toca no meu cabelo, fazendo um carinhozinho gostoso, então faço o mesmo com os cabelos longos dele um tempo depois, como num relacionamento normal onde há essa troca bonita de carinho – na nossa relação particular, só é um processo um tiquinho mais lento.
                É um amor platônico, no sentido mais erudito da palavra, que me enche de quentinho no peito quando penso nele. Amor engraçado, que fala comigo tão tímido, pelo celular de outro, me fazendo apagar a conversa depois. É como estar num filme, numa operação policial, no caso sendo o criminoso, que não pode deixar pistas. É tão peculiar.
                Mas nem nos atrevemos a falar sobre isso em voz alta, afinal para que externar algo que é tão gostoso assim, interno, íntimo, nosso...? Se falarmos sobre, o vento saberá, o mundo ouvirá, preferimos deixar assim, dentro da nossa bolha, do nosso universo paralelo onde só nós dois existimos.


terça-feira, 12 de agosto de 2014

A Study in Orange

               
                
I am not here to tell anyone what art should or should not be, but I guess I am free to take my own conclusions about one of the greatest things human race ever created. If I was asked what the meaning of art is, I’d say it’s… to see beauty. Where there is, where there is not. And the most fascinating thing is that you don’t need to go far to see beauty. It is everywhere, in every corner. All you’ve got to do is unblock your trained eyes – trained to see plain, cliché and boring images on television or on the internet. When you allow yourself to see what’s around you, you just get amazed by every little detail. The moon suddenly becomes a bright goddess, the city lights become tiny shiny littly stars, that awkward bowtie becomes… cool.


But I think the worst part is that nowadays, even beautiful details are so underestimated, you know? People take pictures to post on their instagram every minute but they don’t really stop to pay attention to the marvelous thing they just got the chance to see. A cloudy sky is just a way to get more followers, those awesome buildings are just numbers on your likes… 


stop. and. see.

Who cares if you’re standing in the middle of the street being awkward? Who cares if you’re staring at a group of nice people (ok, that may be weird bUT IF IT PLEASES YOU)? Who cares if there’s absolutely nothing special or new about the places you pass by every day? Look at them, there’s always something original.


And since we’re in this field, I’ll tell a story. One day (one night) I was standing in the sidewalk looking at the moon for some good two minutes and when I turned away, a very cute guy was beside me looking at me. He couldn’t speak my language but he smiled shyly and looked at the moon and then at me again. When he left a few moments later, he told me the most tortuous and sincere “obrigado” I have ever heard. It was touching.

Well, I live in a very poor village, community, shantytown, favela, slum – call it whatever you want. I grew up in here, I know how things work. I know I won’t be robbed, I know who the dealers are, I know they don’t mess with people inside and from inside because they don’t want the police coming down here, I know what’s that particular smell on the air… Nothing really frightens me here.

And because of that feeling of being home I always saw this place with the best eyes, always loved how people in here behave, how they talk, how they interact with the place they are. And I must say: I love the orange lights, typical of favelas. I love how they make this place look like a horror movie, bathing everything with orange juice, painting the water puddles... And when you look at them from above, they seem like several suns in the night sky.


One day, I was looking at all of this from the bus and thought how nice it would be to just take pictures of everything, every people, every situation, every place I find. I was so filled with the feeling of I-finally-found-something-to-take-pictures-of that I arrived home and instantly called my cousin to join me in this adventure – well yes, even though I trust people in here, I won’t ever go out alone with my camera.


This was my first time taking pictures in a more… professional (?) way. I have the conscious I have so much to improve, a lot to learn, match better the aperture and shutter speed and other chances to train, but everyone got to start from some point, right? You’ve been seeing the results along this post and here is the rest. 16 saved from 110. :p

  

 




 




                                       
 

  


It was an amazing first experience and I hope to repeat it, definitely going to post it here too. And one last pic with a special filter because my house is in it. :pp Oh and btw, this is in São Paulo.
               Smell on you,
Victória~