terça-feira, 4 de novembro de 2014

Coisa engraçada essa de amar

             Coisa engraçada essa de amar, não acha? Amamos uma, amamos duas, amamos quantas vezes o coraçãozinho insaciável pedir. E cada vez parece um universo paralelo, com suas peculiaridades e sensações. Eu amo, sabe? Amo muito, muitas vezes, muitas coisas, muitas pessoas. E tenho um amor principal, que amo muito, amo ainda mais o fato de que ele acaba deixando todos os outros amores mais particulares.
                É particular o jeito que olho para o outro de forma tímida e percebo que ele está nada mais do que fazendo o mesmo. Tão particular quando nos cumprimentamos com um abraço apertado demais, demorado demais, carinhoso demais. Particularmente gostoso quando sentamos desnecessariamente perto um do outro e nos tocamos esporadicamente, sem deixar ninguém ver, cuidando com afeto do nosso segredo. E ele toca no meu cabelo, fazendo um carinhozinho gostoso, então faço o mesmo com os cabelos longos dele um tempo depois, como num relacionamento normal onde há essa troca bonita de carinho – na nossa relação particular, só é um processo um tiquinho mais lento.
                É um amor platônico, no sentido mais erudito da palavra, que me enche de quentinho no peito quando penso nele. Amor engraçado, que fala comigo tão tímido, pelo celular de outro, me fazendo apagar a conversa depois. É como estar num filme, numa operação policial, no caso sendo o criminoso, que não pode deixar pistas. É tão peculiar.
                Mas nem nos atrevemos a falar sobre isso em voz alta, afinal para que externar algo que é tão gostoso assim, interno, íntimo, nosso...? Se falarmos sobre, o vento saberá, o mundo ouvirá, preferimos deixar assim, dentro da nossa bolha, do nosso universo paralelo onde só nós dois existimos.


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