Coisa engraçada essa de amar, não acha? Amamos uma, amamos
duas, amamos quantas vezes o coraçãozinho insaciável pedir. E cada vez parece
um universo paralelo, com suas peculiaridades e sensações. Eu amo, sabe? Amo
muito, muitas vezes, muitas coisas, muitas pessoas. E tenho um amor principal,
que amo muito, amo ainda mais o fato de que ele acaba deixando todos os outros
amores mais particulares.
É
particular o jeito que olho para o outro de forma tímida e percebo que ele está nada
mais do que fazendo o mesmo. Tão particular quando nos cumprimentamos com um
abraço apertado demais, demorado demais, carinhoso demais. Particularmente
gostoso quando sentamos desnecessariamente perto um do outro e nos tocamos
esporadicamente, sem deixar ninguém ver, cuidando com afeto do nosso segredo. E
ele toca no meu cabelo, fazendo um carinhozinho gostoso, então faço o mesmo
com os cabelos longos dele um tempo depois, como num relacionamento normal onde
há essa troca bonita de carinho – na nossa relação particular, só é um processo
um tiquinho mais lento.
É um
amor platônico, no sentido mais erudito da palavra, que me enche de quentinho
no peito quando penso nele. Amor engraçado, que fala comigo tão tímido, pelo celular de outro, me
fazendo apagar a conversa depois. É como estar num filme, numa operação
policial, no caso sendo o criminoso, que não pode deixar pistas. É tão
peculiar.
Mas nem nos
atrevemos a falar sobre isso em voz alta, afinal para que externar algo que é tão
gostoso assim, interno, íntimo, nosso...? Se falarmos sobre, o vento saberá, o
mundo ouvirá, preferimos deixar assim, dentro da nossa bolha, do nosso universo
paralelo onde só nós dois existimos.
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