Com Caroline não tinha tempo ruim, sai do encontro flutuando alegria. Moça boa aquela ali. Mas seria tão boa quanto a que vi sorrindo em minha direção? Valentina, amiga de infância, acabou que nos encontramos naquela tarde. Tão graciosa e dócil, será que não muda? Suas bochechas rosaram-se ao passo que aceitei seu convite para um almoço na quarta-feira. Ora, mas que mal? Sentia saudade da pequena.
Entristeci-me por não poder conversar mais com a loirinha do nariz pequeno, mas logo passou quando reconheci, desengonçado e concentrado em seu livro, o Afonso. Oras, o Afonso! Tão curtido e seguido, o Afonso Correa, que não tardou a tagarelar sobre assuntos que tanto interessavam a nós dois, deixando desconfortável a pobre senhora sentada ao nosso lado naquele metrô quase cheio. Não era pico.
Quis recusar, mas seu sorriso me atraiu naquela hora, o papo estava bom e queria que continuasse, então aceitei um almoço para quarta-feira antes que ele desembarcasse na Sé. Sé. Onde será que ele morava?
As escadarias de meu prédio de quatro andares me reservaram outro encontro. Coral. Coraline quase Caroline, mas gostava de Coral, então que seja Coral. Coral descia agitada e ansiosa, deixando cair o cardigan preso à bolsa, enquanto eu subia já forçando o olhar para seus olhos para não desviar para aquele vestidinho.
Não quis saber. Marcou um almoço quarta-feira, dizendo que precisava me contar mil e uma novidades. Ela nunca tinha coisa pouca pra contar. Quis recusar, afinal, sou magrelo e não aguento dois almoços na mesma tarde, que dirá três, mas suas mãozinhas seguraram meu rosto e ali constatei que seus lábios eram macios. Deixei estar.
O jeito ao chegar foi ver se algum dos meus amigos almoçadeiros estavam online para desmarcar mal entendidos, mas me desconcentrei ao ver a bolinha verde no nome de Thomas. Não tardei ao ler e responder suas palavras sempre certas, o vocabulário refinado, o charme sempre presente em seus tons.
Ah, Thomas, homem feito, que é uma honra apenas por pronunciar seu nome como um amigo, que dirá almoçar com ele, ouvir sua voz e admirar seus gestos. Mas é claro, meu bem, podemos almoçar.
“Só poderei quarta-feira, tudo bem?”
(2014)
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